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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

PROPÓSITO PARA UM ANO NOVO

Além disso, naqueles dias, vi alguns judeus que haviam se casado com mulheres de Asdode, de Amom e de Moabe.  A metade dos seus filhos falavam a língua de Asdode ou a língua de um dos outros povos e não sabiam falar a língua de Judá.   (Neemias 13:23, 24 NVI)

Este episódio triste ocorreu em Jerusalém durante o governo restaurador de Neemias.

Neemias foi levantado por Deus para fazer a reconstrução da cidade de Jerusalém, após os anos de cativeiro do povo de Israel na Babilônia, e tomou a seu cargo agir por fé e dependência divina, ardendo em zelo pela causa de Deus e do Seu povo. Mas não confinou sua missão à realização da restauração física e aparente. Trabalhou, juntamente com o sacerdote Esdras, pela restauração espiritual e moral do seu povo. Foi assim que em suas sindicâncias deparou-se com um  trágico efeito de misturas:  pelo fato de, em desobediência explícita à Palavra de Deus, os homens de Judá uma vez habitando entre aqueles povos terem feito casamentos mistos, agora boa parte dos seus filhos (metade), emergiam como subprodutos dessa mistura, falando meio asdodita,  ou seja, um idioma que transitava entre a língua do povo de Deus e o linguajar do populacho no meio do qual vinham misturados. Era o que conhecemos como dialeto. Essa mistura vista na fala denunciava conteúdos doutro teor de mistura: Esdras afirma, no mesmo contexto, que essa geração transitava na prática dos costumes pagãos dos povos da terra. Ou seja, o linguajar evidenciava conteúdos contaminados, que os descaracterizavam como filhos legítimos e os denunciavam como miscigenados com um estilo de vida contrário aos caminhos traçados por Deus.

Fico pensando na extrema necessidade que a nova geração evangélica tem de um restaurador de veredas da têmpera de um Neemias.

Mistura de hábitos, práticas e formas de trânsito nas lides deste mundo tem revelado um idioma contaminado na boca de nossos filhos, os filhos produzidos nesta geração de crentes, em sua maioria esmagadora. Por onde passamos podemos constatar isso com pesar. Em nome de uma falsa ideologia que pretende circunscrever a Graça à permissividade de práticas mundanas, os filhos têm falado meio asdodita em muitas áreas da vida, com o aval e mau exemplo de seus pais crentes, em áreas inegociáveis como o namoro com liberação instintual da sexualidade ( pergunto: onde foi parar o conceito bíblico que reprova obras da carne como fornicação e sexo ilícito? Se a permissividade explícita hoje popularizada no mundo como ficar adentra o arraial do povo de Deus como coisa comum e normal, o que vai ocupar o lugar denunciado biblicamente como fornicação?). Não só. Fala-se meio asdodita nas transações financeiras, nas celebrações sociais, no uso de bebidas alcóolicas, no trânsito em ambientes moralmente discutíveis e no próprio linguajar que perdeu o lugar depurado para dar espaço a xingamentos e palavras torpes, entre tantas outras coisas.

A geração responsável por ensinar e preservar valores, não só tem sido omissa por conta de haver perdido noção do que a Bíblia aponta como separação requerida e recomendada aos crentes, tecnicamente conhecida como santificação, quanto o é por conta de temer taxação como "careta" ou hipócrita, ou radical ou presunçoso. Diga-se de passagem que já fui homenageado com tais títulos algumas vezes.

Em nome de um liberalismo que longe está do que o Evangelho de Cristo preconiza como liberdade, destruímos valores espirituais de alto custo.  O Deus visto e anunciado por Isaías como três vezes Santo, aguarda a identificação do Seu povo consigo pelas vias da santificação. Ser crente apenas, não é sinônimo de ser santo. E ser santo não é sinônimo de ser pietista, religioso ou beato. Ser santo é viver na dimensão do compromisso espiritual que nos posiciona neste mundo, sem afastar-nos dele, como inimigos de suas práticas injustas e desdenhosas. É viver na dimensão do temor a Deus que nos caracteriza como pertencentes a Ele na mesma medida em que nos caracteriza como não mais deste mundo, porque ouvimos Sua palavra dizer: esta é a vontade de Deus, a vossa santificação.

O conceito cristão de santidade ao Senhor é claro. Fala um idioma bastante definido, e este não é o evangeliquês, mas aquele que permite a Deus dizer que não tem vergonha de chamar-Se nosso Deus. O conceito cristão de santidade é aquele que emparelha os crentes na fileira dos que temem a Deus por saber que todo o que se faz amigo do mundo torna-se inimigo dEle; também os caracteriza enfileirados como aqueles que sabem que o compromisso de Deus quanto a realizar coisas novas é com os que se santificam. É consciência daqueles que sabem que devemos à Graça uma resposta de não conformação com o esquema deste século, mas de transformação, ou seja, ultrapassar a forma, uma vez que ela, a Graça,  vai renovando o nosso entendimento. E isso envolve, seja lido no campo da teologia quanto da psicologia, o comportamento, o discurso e as atitudes, porque aponta mudanças internas que passam a impregnar toda a forma de manifestação visível no mundo social. Daí Jesus ter dito que a boca fala do que está cheio o coração. Minimamente o crente nesta geração precisa ter vigilância quanto ao seu devir na vida, porque este vai denunciar o que o move, que idioma fala.

Santidade ao Senhor não é religiosidade e também não é fruto de ascetismo auto-imposto ou alter-imposto. É resposta espontânea de um coração convertido a Jesus. É fruto de identificação com Ele e com os dEle. Trilha pelo caminho da renúncia quando se preocupa em não comer carne para não escandalizar o irmão mais fraco, ou seja, é um compromisso que vai além da própria consciência no dizer de Paulo.

Santidade ao Senhor envolve a consciência de se saber não idôneo, e a partir daí procurar mais dependência do Espírito Santo, em lugar de abrir mão do exercício de renúncias válidas por se achar fraco e insuficiente.

Santidade ao Senhor é a via por Ele apontada, que inclui o testemunho por implicação, biblicamente apontado como evitar a aparência do mal, para que a vida espiritual goze credibilidade e poder.

Santidade ao Senhor é retirada do cenário da ambição material, da concupiscência da carne, linguagem tão densamente bíblica que soa estrangeira aos ouvidos dos que falam meio asdodita.

Esta linguagem toda acima, está estranha a seus ouvidos? Quando não entendemos o que alguém nos diz, pensamos: ele fala outra língua; ou: está bêbedo por mosto? Ou rechaçamos o discurso dizendo:  é radicalismo religioso.

Não. Santidade ao Senhor é disciplina para cristãos zelosos, coisa que se deve procurar viver, e que deve ser passada de pais para filhos. Então sobre esses filhos se cumprirá a Palavra que proclama: ensina a criança no caminho em que deve andar, e mesmo quando  for grande não se desviará dele.

Os homens dos dias de Neemias, confrontados por terem fracassado nessa missão, arrependeram-se diante do Senhor.

Uma dica: santificação pessoal é canal de AVIVAMENTO espiritual. A vida libertina na fé, é via de descrédito e fracasso em todas as áreas, falso poder, conquista mundana.

Neste assunto cabe a advertência de Paulo: aquele que pensa estar de pé, cuide para que não caia. Chamo sua atenção para estas duas possibilidades: estar de pé e cair.

Estamos falando o mesmo idioma?
Eu convido você a assumir santidade ao Senhor como propósito para sua vida e caminhada de fé neste novo ano de 2014. Vamos trilhar juntos esta carreira?

Pr. Cleber Alho

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

PEQUENO COMEÇO DE HOJE


Nem te digo o que eu sentí quando eu ví a foto acima... Que lembranças vieram a minha mente! Aliás, tudo fica fácil de se pensar (e repensar) quando chegamos no final de ano, não é mesmo?

Logo após a degustação das memórias, fiz uma pergunta a mim mesmo: "Quando foi que começara esse 'movimento do Eterno' na minha vida?" Poderia eu ter a audácia de dizer que foi quando eu me tornei Seu amigo? Não, não consegui imaginar esse "ponto inicial". Melhor falando, acho que não me atreví a delimitar esse começo. Foram muitos os inícios, gratas memórias que vem e que vão. E esses começos não se limitam apenas aos lugares e pessoas que conhecí: não iniciaram em Agadez, também não foi com os Bérberes das montanhas, muito menos quando estava no Morro da Providência. A única coisa que sei é que houve um começo que, certamente, não começou em mim.
“Pois quem despreza o dia dos humildes começos, esse alegrar-se-á vendo o prumo na mão de Zorobabel. Aqueles sete olhos sãos os olhos do Senhor, que percorrem toda a terra”. Zc 4:10 
Zorobabel estava em uma situação desconfortável, pois todo judeu que se preze tinha em mente a suntuosidade do templo de Salomão. O primeiro templo, apesar de destruído, nunca pareceu sair da mente e do coração de Israel e o edifício que Zorobabel estava construindo era algo bem mais modesto. Comparações feitas pelo povo eram constantes, pessoas essas que queriam que algo novo acontecesse mas do mesmo jeito, do jeito velho. Não conseguiam perceber que, na estrada da vida, coisas novas acontecem por Sua soberania, ou por Sua permissão.

Devemos entender que são nesses pequenos começos que recebemos sementes. O Grão de Mostarda Divino (isto é, Seu Reino), nos proporciona sementes que precisam ser germinadas no arado nosso de cada dia, fazendo com que nossos braços se movimentem, de acordo com o Seu propósito. Minha decisão de semeá-las - ou não - determinam alguns resultados (consequências) que vemos.

Infelizmente, pequenos começos são desprezados. Ignorados por amigos, familiares e até por você mesmo. Mas quando se olha a foto, percebe-se que todos os pontos e começos estão intimamente interligados. Se for esperto o bastante, vai perceber algumas lacunas que você deixou para trás, por burrice mesmo. Mas nada que se recupere no começo a seguir, bastando semear corretamente segundo Sua graça e amor.

Moisés tinha um simples cajado, Davi arranjou um estilingue "na última hora". Sansão tinha um osso maxilar, Raabe começou sua história com uma corda. Dorcas tinha uma agulha? Sim, todos eles foram usados por Deus. Mas começaram através da simplicidade, dos pequenos começos.

Um ano novo que começa hoje nesses pequenos começos de cada dia para você!

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

NUNCA FUI, ESTOU INDO

“ Embora os proponentes da segunda posição estejam obviamente corretos 
em argumentar que πορευθέντες é um particípio circunstancial temporal, uma 
reflexão posterior sugere que essa interpretação engloba pelo menos quatro 
problemas. Primeiramente, como aponta Daniel B. Wallace, “tornar πορευ-
θέντες em um particípio adverbial é tornar a Grande Comissão na Grande 
Sugestão!”.33 Em segundo lugar, contra Culver e em concordância com Cleon 
Rogers,34 Donald A. Carson afirma que particípios circunstanciais dependentes 
de imperativos “normalmente ganham alguma força imperativa”.35 Em terceiro 
lugar, Carson também acha difícil crer que o particípio aoristo πορευθέντες 
tenha perdido toda força imperativa em um contexto que exige um ministério 
a todas as nações.36 Em quarto lugar, se Mateus tivesse desejado expressar uma 
ação temporalmente simultânea sem força imperativa no sentido de “enquanto 
vocês vão” ou “ao irem”, o comissionamento de Jesus aos doze para pregar 
o reino em Israel (Mt 10.5-16; Aland 99) sugere que Mateus teria usado o 
particípio presente. Em Mateus 10.7 lemos: πορευόμενοι δὲ κηρύσσετε – “À 
medida que seguirdes, pregai...”

David J. Hesselgrave

Graças a Ele, nunca fui esquizofrênico. Mas devo confessar que tenho amigos esquizofrênicos. Falando da chamada "Grande Comissão", devo deixar bem claro aqui que eu "nunca fui". Eu também "nunca deixei de ir". Estou sempre indo, e indo vou, queira você ou não. 

Se você não quer entender o vídeo abaixo ou não gostar, clique aqui e você terá uma versão em grego. Uma versão, digamos, mais polida.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A IGREJA QUE DERRUBOU O MURO: #FORAMpraRUA

Leipzig, Alemanha. A Igreja Evangélica Luterana St. Nikolai parece não ter mudado muito desde o século XVI. Bach chegou a tocar o orgão por lá, a música continua atraente, mas foi durante os últimos dias da Guerra Fria que essa igreja teve sua grande atuação.

O mundo estava dividido entre EUA e União Soviética. A própria Alemanha foi dividida em duas, a República Democrática Alemã (RDA) foi uma tentativa de manter o povo longe do ocidente. O ateísmo era a norma e igrejas como a St. Nikolai foram espionadas, embora pudessem permanecer abertas.

Na RDA, a igreja proveu o único espaço livre para a população. Tudo o que não se podia discutir em público, poderia ser feito dentro da igreja e assim se transformaram em um espaço físico e espiritual, na qual as pessoas eram livres. O Pr. Christian Fülher começou a realizar as orações semanais para a paz.

Toda segunda, o Sermão da Montanha se tornou o texto principal para os adoradores. Poucos eram no início, mas o público foi crescendo e as portas se abrindo. Nas reuniões de oração muitos foram tocados: jovens, cristãos e até não cristãos, justamente para aqueles que queriam sair da Alemanha Oriental. A igreja se tornara um refúgio para esses. O estudante universitário Sylke Schumann foi um dos muitos (que depois se tornaram milhares), que também marcharam pelas ruas segurando velas e apelando para a mudança.

Em Outubro de 1989, no aniversário da RDA, o governo começou a repressão. Manifestantes em Leipzig foram espancados e presos. Dois dias depois a Igreja St. Nikolai estava cheia, transbordando de gente para a vigília semanal. Quando acabou, 70.000 pessoas marcharam pela cidade embora os olhares dos soldados armados.

"Lembro-me que era uma noite fria, mas você não sentia frio. Foi realmente incrível fazer parte disso, energia e esperança foi o nosso sentimento", disse Schumann. Na igreja as pessoas aprenderam a transformar o medo em coragem, superando-o e trazendo esperança, para se ter força. Uma vez que tudo foi feito sem violência, a polícia não pode entra rem ação. "Estávamos prontos para qualquer coisa, menos para velas e orações", relata um dos funcionários da Alemanha oriental.

Um mês após a manifestação maciça, o muro entre Berlim oriental e ocidental caiu. A igreja tinha enviado uma mensagem poderosa ao mundo: o governo da Alemanha oriental não controla mais o seu povo. "A revolução que conseguimos, foi algo que surgiu de dentro da igreja. É surpreendente o que Deus fez", disse o Pr. Führer. 

Hoje o pastor é aposentado, tem 65 anos de idade (2013) e escreveu um livro sobre os relatos históricos daqueles dias. A igreja possui hoje um número bem maior de congregações, se comparado ao tempo antes da manifestação. O pastor aposentado diz que eles não fizeram aquilo para trazer pessoas para a igreja. "Fizemos aquilo porque entendemos que isso é também papel da igreja", finaliza o pastor.

terça-feira, 11 de junho de 2013

CADÊ O SEU PEDRO E SEU JOÃO?

São 9:30 da manhã. Cidade a pleno vapor. Pedro e João vivem a vida tal qual ela é.

A diferença é que tem um morador de rua (mais um) que talvez esteja sem lenço e sem documento, mas que dorme bem ao lado da igreja. Metade dele está dentro de um coletor de lixo e a outra metade do lado de fora.

Seria ele um coxo do século XXI?
E olhou para eles, esperando receber deles alguma coisa" Atos 3:5
Onde estão, hoje, os apóstolos e os discípulos a quem Jesus ama?


quarta-feira, 10 de abril de 2013

DNA. CELINA


Complicadíssimo convencer o Seu Davi para que ele levasse o menino ao seu trabalho. Mesmo que isso só fosse permitido quando o garoto ficava de férias na escola, era realmente difícil. Difícil de acordar cedo, sair cedo e chegar cedo.

Mas quando o garoto ia, via a igreja como nunca: vazia. Aquele lugar grande, cheio de gente nos dias de domingo, se transformava no "lugar do meu pai". Foi dessa forma que o menino subia o suntuoso púlpito sem ninguém ver (e condenar) e ter a visão que aquele "homem de preto" tinha quando falava para a gente. Sem falar nas descobertas e andanças "livres" pelos corredores da igreja. Isso sim era o máximo!

Em meio as muitas andanças, tinha a Dna. Celina em sua sala. Tudo era arrumado e ela arrumava muitas coisas. Sempre com o telefone em suas mãos. Apesar de sua atividade ser completamente diferente do Seu Davi, Dna. Celina era bem próxima dos três (dele e seus irmãos). E os três bem próximos dela. É óbvio que o garoto pôde conhecê-la como se deve: muito além da sala, das arrumações e atendimentos de telefonema. E isso era mais do que o máximo.

O tempo passa, sempre passa. Seu Davi se foi, tio Samuel e tio Mizael também. O menino foi crescendo e os corredores da igreja foram mudando de cor. O garoto viajou para longe, mas sempre procurando saber o que estava acontecendo nos corredores da igreja. Dna. Celina foi crescendo também, mudando de condição e já não estava na sala da secretaria. Os anos foram se passando, e com certo custo ia a igreja que ela conhecia a dedo.

Agora a Dna. Celina se juntou aos três de vez. Não tem volta, louvado seja por isso. Sua condição mudou definitivamente para aquela que os anos não podem mais interferir. A eternidade - já em seu coração - efetivou a morada no mesmo, agora totalmente transformado.

Quanto a gente, fica a saudade das conversas aos redor da mesa (com as marmitas abertas), das piadas e brincadeiras que eles faziam um com os outros. O menino já não e mais o mesmo, mas as lembranças são as mesmas. Dna. Celina agora está no patamar que lhe é devido. E isso ninguém aqui na terra pode dar. Nem igreja nenhuma, nem o Seu Davi, muito menos o garoto.

Dna. Celina, obrigado. Fique sabendo que estamos aguentando firme. Daqui a pouco chegaremos todos aí.

terça-feira, 2 de abril de 2013

A ARTE DA GUERRA

Ele foi um general chinês, estrategista e um filósofo. Escreveu um tratado militar com 13 capítulos, tratado (que virou livro) venerado até os dias de hoje. Escrito no Século IV a.C., "A Arte da Guerra" tem inspirado multidões e é utilizado - inclusive - como manual de negócios em empresas de grande porte. Sun Tzu, está (ainda) fazendo história.

A disputa sempre teve terreno fértil em nossos corações. Ela começou a existir desde que a fruta foi mordida, causou a morte do irmão e a troca de lentilhas. Fez Isaque ter um irmão mais velho e também fez com que irmãos jogassem o filho predileto na cisterna. Fez com que os judeus libertos desejassem ter um rei, e também fez com que um deles fugisse por causa da traição do seu próprio filho. A disputa dividiu os reinos, realizou guerras, invadiu o coração dos Fariseus. A disputa tentou amarrar o Verbo na morte, mas não conseguiu. Mesmo apesar dela gostar de interagir com os pequenos Cristos na terra, ela perdeu o seu poder. Pelo menos, para aqueles que sabem disso.

A disputa, por mais complicada que possa ser, pode ser vencida. Sabemos que ela incita casais ao divórcio, igrejas a divisão, países a ficarem em estado de guerra. Mas, mesmo assim, ela pode ser vencida por mim e por você. Basta começar no meu mundo: naquilo que meus braços podem estender e fazer minhas mãos tocarem. As vezes até mesmo um lindo sorriso (ao invês de uma testa franzida) faz a diferença.

Derrotamos a disputa com um xeque-mate surpresa, mas que não é uma carta que está escondida na manga. Se estiver, trate de mostrar logo ao seu próximo! Lembre-se que ele não é seu opositor. Adversário, você só tem um e, mesmo com ele, não há disputa. Ela não existe. Ou será que existe disputa com alguém que já perdeu? Não gaste suas forças com quem já foi derrotado, apenas fale isto para ele quando ele pisar em teu pé. Sempre ajude os que são derrotados na disputa a viverem para aquilo que foram criados.

Rumores de guerras sempre existirão e não devemos nos abater, nem ficarmos surpresos ou escandalizados. Se você conhecer um pouco o Livro, saberá que já foi tudo previsto, além de termos a certeza de que a "chapa vai esquentar" ainda mais. No worries, vamos viver a Vida, fazendo terminar as guerras próximas que estão próximas a nós. Com certeza absoluta que você nada pode fazer para intermediar um diálogo entre Barack Obama (EUA) e Kim Jong-Un (Coréia do Norte), porém mesmo você sendo um vermezinho (Isaías 41:14), não precisa ter medo: mude o seu mundinho!

As Boas Novas são novas porque surpreendem o status quo. Falam e pedem uma reação adversa daquilo que normalmente vemos. É por isso que o Carpinteiro veio, para trabalhar a madeira em seu estado natural e transformá-la naquilo que Ele deseja. Essa é a arte maior, não escrita por homens ou estrategistas, mas por pessoas normais como você e eu que multiplicam Seus atos por onde andamos. Este é o bumerangue que vem e que volta, em ações singelas mas que fazem acabar com toda guerra. Mas a maior delas, a guerra "interna", só mesmo com a arte do Carpinteiro.

Uno!

sábado, 26 de janeiro de 2013

O TEMPLO QUE CRESCE PARA DENTRO

O contexto histórico é o do exílio de Israel em Babilônia (Ezequiel 40 à 43:17), na geografia do atual Iraque, quinhentos anos antes de Cristo (40:1). A experiência é espiritual, portanto, de natureza subjetiva (40:2, 43:1-6). A primeira visão é do templo construído por mãos humanas, onde as vaidades dos construtores, dos sacerdotes, dos ricos e dos reis ganhava sua simbolização, e emprestava a esses personagens da vaidade um sentimento de importância: valia a pena até mesmo ser enterrado nas imediações (43:7-9).
O Templo dos Homens era lugar de ideologia, política e auto-afirmação!



Então vem Deus e diz: “Tu, pois, ó filho do homem, mostra à casa de Israel este templo, para que ela se envergonhe de suas iniqüidades; e meça o modelo”(43:10).

A questão é: que Templo?

Ora, Deus havia mostrado antes o modelo a Ezequiel (40: 6 a 42:20). Tratava-se de um edifício impossível de caber nos padrões de matemática, física e arquitetura da Terra! Talvez à partir da Física Quântica se pudesse ter um vislumbre melhor do projeto. E por quê? Porque na Física Quântica tempo e espaço perdem sua significação linear! De maneira simples e não exaustiva demonstrarei as razões:

1. As medidas são anti-físicas: o lugar começa mínimo (40: 5-6) e, à medida em que se entra por essa Porta Estreita e nesse Lugar Pequeno, tudo começa a crescer. A seqüência da leitura mostra que as dimensões vão ficando cada vez maiores quando se entra por essa pequena porta.

2. O crescimento é para dentro: do verso 7 ao 41:5 esse é um fato inescusável. Quanto mais se entra, mas o lugar aumenta em suas dimensões e espaços.

3. O lugar não apenas cresce para dentro, mas também para cima (41: 6-7). E o acesso de um nível para o outro não poderia ser alcançado por fora, mas somente por dentro. O lugar cresce se se entra nele e, uma vez nele, só se passa de um nível para o outro num caminho interior.

4. O lugar não se limita às simbolizações da terra. Suas decorações são manifestações de todas as criações de Deus: querubins e palmeiras. A primeira criação—a dos anjos— e a segunda criação—a da natureza que nos circunda( 41: 17-20). Elementos de ambas as criações estão presentes no lugar, de madeira à rostos animais e seres angelicais. Até os anjos que nele aparecem tem cara de homem e leãozinho!

5. As portas dos lugares mais sagrados contêm as mesmas simbolizações multicriacionais (41: 25). Outra vez anjos e natureza estão juntos.

6. Ao ser totalmente medido, subitamente o lugar se projeta para amplidões incomparáveis, maiores do que todas as dimensões anteriormente mencionadas (42: 15 – 20).

7. Somente após visitar esse lugar cuja entrada é estreita, que violenta os conceitos de espaço—pois cresce para dentro e para cima—, que está marcado por todos os signos de todas as criações, e cuja saída remete para um mundo de dimensões bem maiores, é que se diz que aquela viagem permite a instalação na consciência do discernimento entre o “santo e o profano”(42: 20c).

Portanto, não se está falando de um templo construível por mãos humanas. Ele não é desta ordem de coisas!

A conclusão divina dada a Ezequiel é dupla:

1. Estou mostrando o meu Lugar Santo para que eles “se envergonhem e meçam o modelo” (43: 10).

2. “Esta é a lei do Templo” (43: 12). É o que Ele diz aos que se preocupam com exterioridades!

A questão é: e daí? Bem, para quem não entendeu ainda, Deus está nos dando alguns parâmetros de crescimento!

A Porta é Estreita. De fora não se sabe o quão grande é dentro. Quanto mais se entra, maior fica. As subidas de andares só acontecem por dentro. A espiritualidade do lugar põe querubins (anjos) e palmeiras (natureza) em equivalência. Umavez fazendo a viagem as dimensões aumentam para fora. E a consciência aprende a fazer a distinção entre o santo e o profano.

Não fosse a dificuldade de raciocínio associativo da parte de alguns seria irrelevante dizer que em João 7: 37-38 somos remetidos para a mesma cena em sua seqüência (Ez 47), fazendo de Jesus esse Templo-Altar de onde procedem as “águas da vida”.

De acordo com a interpretação de João sobre Ezequiel, o Espírito é quem realiza essa realidade! Paulo nos fala que fomos constituídos “habitação de Deus no Espírito”!

Ora, eu poderia escrever um denso livro sobre as implicações desse “achado”. Mas é obvio que o desejo de Deus é que “meçamos o modelo”. Seu desejo é que comparemos o que chamamos de religião com aquilo que Ele chama de “lugar da minha habitação”. Nos nossos templos os reis e os que se julgam importantes pensam que apenas “um muro” os separa de Deus (43: 7c e 8a).

Nos nossos templos a vaidade dá lugar a monumentos ao Ego ( 43:7c). Nossos templos são obras do homem!

Já nesse lugar da habitação de Deus, as matemáticas humanas cessam e as medidas do homem são todas elas extrapoladas (Ef 3:14-19). Nesse lugar a gente só cresce se a viagem for para dentro e para cima. Não há escadas do lado de fora! E mais: a visão que nele se encontra acerca de Deus é a de uma espiritualidade que combina anjo e palmeira: o natural e sobrenatural!

Esta é a lei do templo: entre pela porta estreita, viaje para dentro de si mesmo guiado pelo Espírito—o que estiver morto ganhará vida—, cresça interiormente, inclua toda a criação em sua espiritualidade, e não tenha medo do mundo exterior, pois, uma vez fazendo a viagem, ganha-se na consciência—não nas exterioridades—o discernimento entre o que é santo e o que é profano!

“Então aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundices e de todos os vossos ídolos vos purificarei. Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em voz espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ez 36:25-26, ver 11:19-20).
Este era o sonho dos profetas!

Este é o Templo que Jesus disse que em sendo destruído Ele o reconstruiria em três dias!

E nós nos tornamos esse templo em Cristo!

Afinal, eu estou Nele, por isto Ele vive em mim!

Assim, fica-se sabendo que o único lugar onde o caminho de Deus se realiza é o coração. Isto porque “os céus dos céus” não podem conter a Deus. Ele, no entanto, habita com o quebrantado e com o contrito de coração!

Nele,

Caio 

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

TELEPATIA ATRAVÉS DE CHIP E INTERNET

Imagine...

A telepatia artificial, ou "teclepatia", nada mais é do que a comunicação mente a mente usando a tecnologia como meio de transmissão, e tem se tornado um tema de crescente interesse, sobretudo agora que o ser humano conta com tecnologias que nos permitem "ler" o pensamento com maior ou menor precisão. E embora ainda não exista sistema algum de comunicação telepática que funcione, há cientistas que defendem a projeção de que no futuro este tipo de conexão será tão comum como a que realizamos hoje em dia por meio de celulares.

LEITURA DOS PENSAMENTOS

Há apenas algumas semanas, o mundo conheceu a história do canadense Scott Routley, paciente em estado vegetativo que, com a ajuda de um aparelho de ressonância magnética, se comunicou por meio de seus pensamentos após mais de uma década em silêncio.
A experiência é mais um exemplo de como sensores e aparelhos de exames nos permitem analizar o fluxo do sangue no cérebro ou detectam os impulsos elétricos de nossos neurônios para determinar padrões vinculados a palavras, ações ou ideias concretas.
Atualmente existem duas formas de fazer isso: colocando uma série de sensores na parte externa da cabeça ou abrindo o crânio para implantar um chip no córtex cerebral. Embora seja mais invasivo, o segundo é o que vem dando aos cientistas a possibilidade de obter resultados com maior precisão.
Kevin Warwick, professor de cibernética da Universidade de Reading, na Grã-Bretanha, foi uma das primeiras pessoas a ter um chip implantado em seu cérebro, ainda em 2002.
Em 2004 ele conseguiu estabelecer uma conexão telepática com sua mulher, Irina, que esatava usando eletrodos externos.
Com os respectivos sensores acionados, os dois sistemas nervosos foram ligados à internet e através deste meio Irina moveu sua mão três vezes e os movimentos foram percebidos por Kevin.
"O que fizemos até agora é enviar sinais de sistema nervoso para sistema nervoso; o próximo será de cérebro a cérebro. Já temos agora a tecnologia para fazer isso, e tentar o primeiro experimento, que provavelmente será uma forma rudimentar e telegráfica de comunicação", conta o cientista.
A comunicação não seria muito diferente de uma ligação entre duas pessoas, por telefone, diz o pesquisador.
DILEMAS E RISCOS
Superados todos estes desafios, restaria ainda enfrentar todos os dilemas éticos envolvidos em pesquisas com comunicação telepática.
Em primeiro lugar, são poucas as pessoas dispostas a terem um chip instalado em seu cérebro. O dispositivo pode gerar problemas de rejeição.
Além disso, se os dados forem transmitidos através de um meio como a internet, os pensamentos das pessoas poderiam ser facilmente interceptados.
E no pior dos casos, alguém poderia introduzir pensamentos em nosso cérebro.
Mas na visão dos especialistas ainda temos muito pela frente antes dessas situações se tornarem realidade. Enquanto isso, pessoas como Scott Routley, que se comunicou mesmo estando em estado vegetativo, podem usufruir das descobertas feitas ao longo do caminho.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

EU



Certa vez o jornal London Times pediu para alguns escritores que respondessem a pergunta: "O que há de errado com o mundo". G. K. Chesterton enviou a resposta mais suscinta:

Prezados Senhores:

Eu. 

Atenciosamente, 
G. K. Chesterton

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Boa noite

É assim que William Bonner fala todas as noites, no Jornal Nacional, da Rede Globo de Televisão. Confesso que estava com saudades de assistir o famoso telejornal, mas devo dizer que hoje ainda estou tentando digerir as informações que ví e ouví.

A primeira pergunta que eu me faço é: de que servem as informações? Será que são simples coisas que usamos para coçar as orelhas enquanto comemos a janta? Para que vemos os Jornais? Qual é o propósito de "ficar informado"?

A rapidez das informações é grande hoje em dia. Em um clique você pode ver e ler o que quiser. Em seu navegador, você pode abrir diversas abas e, dentro de cada uma, saber como está o Flamengo, em outra assistir um vídeo no YouTube e na terceira ler as notícias do UOL. Tudo isso em questão de segundos. Quando vamos para a televisão, a coisa não muda muito. Informações e "entreterimento" para todos os lados. As vezes parece que somos como esponjas que absorvem e absorvem, mas que não faz diferença alguma. Afinal de contas, a informação vem e vai. Em um clique. Em um botão.

Hoje o Jornal Nacional foi difícil demais para mim. A começar com a notícia de uma senhora que morreu por causa de um erro de uma estagiária. Pasmem: a senhora morreu por causa de uma infusão de café com leite em sua veia. A bebida foi para o coração, ele bombardeou para o pulmão e a mulher morreu. Revolta em São João de Merití, Baixada Fluminense. Tem coisas que só acontecem na Baixada. Mas rapidamente Bonner faz a chamada para o próximo bloco pois precisamos saber quem entrará no lugar do jogador Marcelo no jogo de amanhã. Tem coisas que só acontecem na Seleção.

"Mas peraí, como é que fica aquele choro da filha que, por um desastre insano, viu sua mão falecer por causa de café com leite?", pergunto eu. Enquanto pensava, a propaganda já tinha começado e pela miléssima vez ouço a pergunta: quem matou o Max (Novela Avenida Brasil). A foto da mulher que morreu insanamente não sai de minha cabeça, muito menos a notícia de que as favelas (agora) estão ocupadas pela polícia. Os viadutos estão sendo todos ocupados pelos viciados em Crack. A chamada "Cracolândia" só mudou de lugar. Ou não? Tem coisas que só acontecem nas favelas.

Hoje, a tardezinha, ví um vídeozinho engraçado em que o prefeito mais feliz (segundo ele) faz um Raio-X de como está o seu ego. Quem quiser ver ouví-lo, basta clicar aqui. Você vai ver um Nabucodonozor de primeira, orgulho a flor da pele, de alguém que só vê a Cidade Maravilhosa de cima, dentro de um helicóptero. É o prefeito eleito pelos cariocas.

Esse é o meu país, que tanto amo. Amo muito mesmo. Amo demais minha cidade, Rio de Janeiro. Mas a visão debaixo do helicóptero (ou como dizia o sábio, "debaixo do sol") é algo desesperador. Enquanto cafés com leite são inseridos na veia, Seleção do Mano Menezes pagando mico, viadutos tomados de Crack, me parece difícil de ver uma mudança. Mas para que serve essas informações todas, meu Deus do céu? Para quê?

Eu acho que a gente, propagador do Amor divino, invertemos a carga horária. Hoje em dia, nós trabalhamos apenas um dia (justamente no dia em que não é para trabalhar): Domingo. O primeiro dia da semana é dia de descanso, de estarmos aos Seus pés, mas estamos tão atarefados com nossas reuniões, projetos e estratégias que não nos resta tempo. Nos outros dias da semana, apenas descansamos. Nós nos desligamos, talvez sejamos como zumbis (mortos-vivos). Talvez seja por isso que não nos importamos muito com as informações que temos, pois são apenas imagens em uma tela LED. Não são pessoas de verdade. Então, descansamos por 6 dias e só trabalhamos em 1 (no Domingo). E olha que que Deus fez justamente o contrário!

A essas alturas, o William Bonner já deve estar dormindo. Já terminou o seu trabalho e amanhã, haverá novas reuniões de sua equipe de trabalho para definir que notícias irão nos bombardear. Mais notícias, mais imagens em nossa tela plana. E assim vamos vagando, de segunda a sábado, para no domingo clamarmos "Vem Senhor Jesus".

Talvez Jesus pense,

Eu é que quero que vocês vão! Saiam de onde estão, vão ocupar as favelas! Façam o que o Rio Acolhedor não consegue fazer com esses viciados em crack! Parem de levantar as mãos, usem-nas para abraçar essa mulher que acabou de perder sua mãe! Saibam que eu não virei se vocês não forem!"

Bonner, me desculpe, mas tá difícil de eu ter uma boa noite. Mas vou tentar, na esperança que este novo dia prometido pelo Carpinteiro REALMENTE tome conta do meu ser e daqueles que dizem que o ama. Só assim teremos uma boa noite, esperando por Jesus que não virá até que acordemos de nosso estado zumbi.

Que país é esse? É o meu, o teu, o nosso.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Descomplique-se

Gente! Está mais do que na hora. Vamos descomplicar a Vida. Vamos ser apaixonados pela Verdade, pela simplicidade, acheguemo-nos com ousadia de quem está livre para beijar a mão do Mestre, o Rei da Glória.

Mas quem é o Rei da Glória?

É Aquele que é faz respirar todos os homens. É Aquele é foi, que é e que sempre será. É Aquele que é a alegria dos homens. Vamos amar essa alegria à nos dada, de maneira gratuita e poderosa.

Sim, Ele é a alegria dos homens!

sábado, 10 de março de 2012

Persevere

Semana passada estava dentro de um ônibus admirando a linda paisagem ao meu redor. Até aí, nada de anormal. O anormal aconteceu quando o ônibus ultrapassou um caminhão.

Quando eu era criança, meu pai queria que eu fosse engenheiro. Já minha mãe, pastor. E eu sonhava em ser "motorista de caminhão". Sonhos de quem me ama muito, anelando ver em mim a realização. Pois bem, ao ficar olhando o caminhão e quem o dirigia, decidi colocar em minha lista das Coisas Que Farei Antes de Subir que um dia vou dirigir um caminhão.

Não sou engenheiro, não sou pastor, muito menos caminhoneiro.

Sou um sonho em carne e osso. Meu único título é amigo. Sou um "tesouro bem guardado" que vai se enriquecendo (realizando) a medida que ultrapasso o que fica para trás, dia após dia, no cotidiano dessa vida que gentilmente recebí do céu à alguns anos atrás. Os sonhos de quem me ama foram se aprimorando no decorrer da estrada. Sou alguém que precisa olhar para a vara, escutar o Vento que vem do céu. Isso tudo em meio à um andar que, com certeza, não é tão constante como eu gostaria que fosse. As vezes esqueço que tenho tração nas quatro rodas...

Miserável homem que sou.

Mas tudo bem rapaz, fica tranquilo: Basta buzinar.

Basta perseverar. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Viva la vida

Fiquem tranquilos, isso aqui não é um post sobre Coldplay ou sua bela música. Digamos que aproveitei o título da mesma, como uma simplória introdução à celebração das mudanças. Acho que estou saindo do casulo, fazendo valer o "ano novo" dentro de mim que respira todo segundo do meu viver e, conforme prometido aqui mesmo, mudanças aconteceram.

Mudanças existem em nossas vidas desde quando éramos substância uniforme. Então, podemos dizer que faz parte de nosso DNA. O mais importante é saber reagir corretamente com cada mudança, já que as nossas reações demonstram nosso caráter, quem nós realmente somos. Charles Chaplin fez nossos pensamentos mais profundos rirem ao dizer que "a vida é uma peça de teatro que não tem ensaios". Faremos o quê, então? Vamos vivê-la, simples assim.

Para tentar exteriorizar as mudanças, o blog mudou de cara, ou melhor, de nome. Direi que essa foi a mudança "visível", já que o mesmo se tornou mais abrangente com o decorrer do tempo. Sem rodeios, sem braços cruzados, vários assuntos foram abordados. É um livro aberto. O conteúdo será praticamente o mesmo, mas buscando sempre "estivar as limites". E assim vamos esticando, esticando, até ir tomando forma. O ponto final você já sabe: viraremos pó, teremos um novo corpo.  E viva o Carpinteiro!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Não vê direito?


Não tem problema se você não consegue ver direito. O importante é saber que este blog terá algumas mudanças consideráveis para o ano que vem. O conteúdo continuará o mesmo, aliás, foi o conteúdo que acabou me empurrando para a "conversa ao pé da cama" que me fez repensar o blog.

Nos vemos no ano que vem? Não. Antes disso passo por aqui e deixarei meus votos para você e tua família.


quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Dance aqui e agora

Faz um tempo que aquilo que chamamos de entreterimento tem procurado mostrar algumas verdades verdadeiras. Chuver no molhado? Para eles não é. É possível ver em comerciais e filmes (não em todos, obviamente), um certo incômodo com situações que, para nós cristãos, deveriam ser combatidas. Eu gosto disso, pois me maravilho em ver "pedras clamando". Faz parte do show da vida, uma vez que foi de certa forma predito pelo Carpinteiro. Quem é que não se lembra do comercial do Johnnie Walker? Somos notáveis?

Não sei quanto a você mas eu encho os pulmões para dizer que amo filmes! Se pudesse, assistia um a cada noite. Ainda mais quando ele ultrapassa os efeitos especiais ao confrontar o quotidiano que vivemos, coisas tão ordinárias demais para nós que não nos chamam mais a atenção. Somos ocupados para ver aquilo que não é ordinário. Se vemos, talvez seja porque temos um certo interesse no assunto. Se não, "bola para a frente". Claro, sem gol de placa.

Ontem a noite, ao passear pelos canais de TV, ví que não poderia resistir ao desejo de ver Shall We Dance (Dança Comigo) pela miléssima vez. Nunca vou me esquecer de minha reação, quando eu o ví pela primeira vez... Se choro quando vejo o Senhor dos Anéis, posso dizer que "nado de costas" quando vejo esse filme. Mas hoje eu dei asas para a curiosidade e decidí ver alguns cartazes deste filme de 2004. Me surpreendí com um slogan do mesmo (existem dois), que dizia Step out of ordinary. Traduzindo, seria "um passo fora do ordinário".

Ordinário é uma palavra, digamos, pesada, não é mesmo? Mas o que diz o nosso bom e velho Aurélio? Vejamos:

Que se faz comumente; habitual, useiro, vulgar; comum. / Freqüente; que ocorre a cada instante; que se vê muitas vezes.

Bingo! É verdade. Poxa, não é uma palavra tão pesada assim. Nada tão comumente em nossas ruas do que se deleitar ao olhar para o ordinário. É habitual "chegar junto", useiro e vulgar. Isto é, comum. Quem é que resistiria aos encantos do que é comum, sempre se apresentando pela janela dos olhos?  Afinal de contas, todo mundo faz. É algo que se vê muitas vezes, diz o Aurélio. 

O filme trata de um advogado pacato, sério e com a vida toda arrumada, literalmente sobrevive na existência do quotidiano. Que dureza! Sobrevive, e lhe falta um gostinho de "quero mais". Voltando do trabalho, ele vê na janela de uma quase falida academia de dança, a oportunidade de dar um salto no escuro. É irresistével, lhe faz pular do trem (literalmente) rumo ao alvo que lhe faz pesar a cabeça. "Por que estou fazendo isso", se questiona corretamente. Ele quer dançar conforme a música. Fica perto do perigo e, mesmo não conseguindo dar motivo ao motivo à primeira instância, decide continuar a dançar. Mas agora, de verdade. É engraçado a torcida que acontece na cena final do filme que surpreende um mundo de mais de 7 bilhões de habitantes.

O ordinário John deixa de ser ordinário. Ele é incrivelmente espetacular. Arranca lágrimas daqueles que vêem a possibilidade de ser mais, jogando sementes na cabeça dos ordinários que vivem ao redor de nós. Ou será em nós? Calma, não precisa responder: palavras não são nada, atitudes sim.

Conforme um dos slogans do filme, é uma comédia romântica de alguém que quer conduzir sua própria vida. Uma comédia onde o ator principal, a verdade, faz delirar de rir o ordinário comum. Tudo bem, deixa ele rir de você, de mim e de todos nós. Seremos sempre espetáculo, mas nunca ordinários. 

É verdade que as vezes o livro do amor é longo e chato. Mas tem musiquinhas bobas dentro dele. O que seriam das danças sem elas? Escrito a muito tempo atrás, é cheio de flores e caixinhas em forma de coração. E sempre haverá coisas que nós seremos toda vez pequenininhos para saber.

But I, 
I love it, when you read to me
And you, 
You can read me anything


domingo, 9 de outubro de 2011

Tomei café com Papai hoje

Atualmente, onde eu moro, existe a cultura dos homens irem ao café. É muito comum você sair com seus amigos, sentar nesses lugares agradáveis e "jogar conversa fora". Ou então ver jogos da Champions League.

Mas hoje é Domingo. É dia de ir para a cafeteria?

Faz um bom tempo que estou em luta com o Domingo. Tem sido uma briga feia. O chamado "Dia do Senhor" deixou de ser d'Ele, já que minhas experiências por aqui, neste específico dia, tem me atordoado um pouco a mente. É verdade: domingo é dia do Senhor, mas segunda também é. E a sexta? É dia de quêm?

Muitas terminologias morreram na minha cabeça e nem fiz funeral por elas. Muito pelo contrário: o "funeral" foi de alegria por ver que muitas dessas palavras não passam pelo fogo. São apenas palha, já que não há profundidade nelas. Se não há verbo, a palavra só pode trazer realmente significado, "v ida", quando entra em ação. Se o "Dia do Senhor" não for vivido todos os dias, para que serve sentar do lado de alguém e ficarmos todos olhando para a frente? Seria uma "segunda televisão", uma "televisão do Senhor"?

Mas hoje foi um domingo diferente, como a segunda e terça feira precisam também ser. Ao caminhar pela rua quase vazia, fui para uma cafeteria, já que não estava nos meus planos chegar cedo "no templo". O garçom veio e pedí café forte, comme d'habitude (como normalmente). O clima estava gostoso, um vento fresco e árvores lindas e enormes cativaram meus olhos. Foi alí que eu comecei a abrir meu coração e isso, com certeza, faz toda diferença.

Não há nada que Deus possa fazer se o coração não estiver aberto. Posso explicar? Nosso relacionamento com Ele extravasa conceitos, dogmas e modelos. O universo não pode conter Seu amor e Seu desejo é de íntimo relacionamento. Jesus não veio a terra para carimbar nossos passaportes. Sua missão foi muito mais profunda do que isso. Óbvio que Deus tudo pode fazer, "mas um coração contrito e abatido, este Ele não desprezará". Estar alí, em um simples café, conversando com Ele, é dar um verdadeiro abraço no Papai. É estar na posição de amigo. Sua presença invade cafeterias, ruas inteiras e templos. Ele está em todo lugar, e se faz presente onde dois ou três se reúnem em Sua presença. Apenas em Sua presença. Aprendí, no mês passado, algo que me deu luz para o meu caminhar: Deus está em minha presença. Esse é o que eu chamo de "Domingo Nosso de Cada Dia".

Tomar café com Papai foi muito bom. Lavei meus olhos novamente e me lembrei quando estava na ilha olhando o por do sol. Mas o relógio avança loucamente, e deu 9 horas, "hora em que o culto já vai começar". E lá fui eu com o coração apertado, indo para o chamado culto. Todavia, minha vontade era ficar alí sentado por horas, ao cheiro do café, lavando e lavando os olhos.

No templo, fomos agraciados com pessoas que amam Ele com todo coração. Talvez você pergunte: "mas sempre teremos pessoas assim nos templos, não é?". Talvez sim, talvez não. Templos estão muito cheios ultimamente, são enormes, grandiosos. Hoje o cimento vale muito mais do que o caráter. "Que se dane o que eu faço sozinho no meu quarto (caráter), o que importa é que vou a igreja". Muitas vezes essa é a regra.

Tomei café com Papai hoje e já estou sentindo saudades (risos). Mas por quê, se Ele está comigo por onde eu for? Desculpe-me Papai pela ignorância! Ainda bem que almoçarei com Ele daqui a pouco, depois veremos o jogo do Flamengo juntos. Em seguida, brincaremos com minha filha. Dormirei sob o Seu olhar para que amanhã eu acorde e lhe diga "bom dia".

Mais um café juntos? Ótimo!

sábado, 2 de julho de 2011

O que um sapateiro pode fazer?

Essa pergunta, a primeira vista, não tem outra resposta. Afinal de contas, não é o sapateiro um profissional que conserta e fabrica sapatos? Sim, é verdade. Ele trabalha na área de calçados, cuja materia-prima em sua grande maioria é o couro. Também trabalha com vários acessórios atualmente. Não sei quanto a você mas eu não me lembro de ter tido contato com um sapateiro na minha vida. Não me lembro de ter precisado seus serviços. O que o sapateiro pode oferecer, todos nós sabemos.

Mas se eu dissesse para você que um sapateiro foi capaz de descobrir uma das três variedades de eucalipto em um país distante? Que esse sapateiro foi capaz de introduzir o sistema Linnaen de jardinagem nesse mesmo país? Você não acreditaria que esse sapateiro publicou os primeiros livros de ciências e história natural no país que estava vivendo?

Se eu dissesse que um sapateiro foi o primeiro a levar o motor à vapor para um país distante, o primeiro a fabricar no país o papel para a indústria de publicações desse país?

Imagina um sapateiro introduzindo a ideia de instituições bancárias de crédito para combater o mal social da agiotagem? Imagina ele sendo o primeiro homem que liderou uma campanha de tratamento mais humano para leprosos?

Para quem gosta de tecnologia gráfica como eu admiraria esse sapateiro. Ele também trouxe a ciência moderna de gráfica e publicações e depois ensinou e desenvolveu a mesma. Ele montou o primeiro jornal a ser impresso em uma língua oriental.

O que dizer quando se vê um sapateiro como fundador da Sociedade de Agri-horticultura, na década de 1820, trinta anos antes de ser fundada a Sociedade Real de Agricultura da Inglaterra? Dá para acreditar que esse sapateiro foi um dos defensores da reforma agrícola nesse país distante?

Além disso, esse sapateiro traduziu e publicou grandes clássicos religiosos desse país onde ele morava, além de tratados filosóficos. Transformou o Bengali na principal linguagem literária desse país (antes essa língua era considerada digna "dos demônios e das mulheres"). Escreveu músicas cristãs nessa língua.

Dá para acreditar que esse sapateiro se tornou professor de Bengali, sânscrito e Marathi na faculdade Fort William, em Calcutá? Dá para crer que ele formava funcionários públicos? Sem falar nas dezenas de escolas para crianças que ele fundou. Esse sapateiro até criou a primeira faculdade da Ásia em Serampode (perto de Calcutá). Acreditas?

Como um bom professor que esse sapateiro era, introduziu também o estudo da astronomia no subcontinente. Ele acreditava e fazia os outros acreditarem que os astros precisavam ser estudados pois são obras do Criador. O mesmo lhes determinou serem "sinais e marcadores".

Uma aluna de pós-graduação em biblioteconomia poderia dizer que esse sapateiro foi o primeiro bibliotecasrede no subcontinente. Trouxe, com ajuda de amigos, muitos livros educativos pois desejava também uma "libertação" intelectual do povo. "Ele queria tornar acessível à nós a informação global, através das bibliotecas-rede", diria essa estudante.

Um sapateiro que queria um mundo sustentável. Seria isso possível? Sim, ele queria. Tornou-se o primeiro homem nesse país distante a escrever ensaios sobre o reflorestamento, quase 50 anos antes da primeira tentativa do governo de conservação ambiental. Esse sapateiro praticou e defendeu o cultivo de madeira, dando conselhos práticos sobre como plantar árvores para o progresso ambiental, agrícola e comercial.

As mulheres de sua época podem dizer que ele foi o primeiro homem (sapateiro) que se opôs aos assassinatos inescrupulosos e à opressão das mulheres em geral. Enquanto muitos tratavam essas coisas como "cultura", esse sapateiro se levantou e realizou pesquisas sistemáticas de sociologia e também da Bíblia. Publicou esses relatórios para mover a opinião pública e levantar protestos, tanto em Bengal como também na Inglaterra. O resultado dessa luta de 25 anos foi a publicação do famoso edito de Lord Bentinck, em 1829, banindo uma das práticas religiosas mais abomináveis, como "a queima das viúvas".

Esse sapateiro, a princípio, não teve permissão de ingressar na parte inglesa desse país (ele era um sapateiro inglês) porque a grande empresa que trabalhava lá era contra o proselitismo de hindus. Portanto, foi para a "área dinamarquesa" em Serampore. Mas quando a companhia não encontrou um professor de bengali qualificado, chamou o sapateiro qualificado para o serviço. Assim, sendo "sapateiro-professor" na universidade durante os 30 anos que lecionou, conseguiu transformar a essência da administração britânica de exploração imperial indiferente em serviço civil.

Um aluno de filosofia indiana pode dizer que esse sapateiro restaurou a idéia de que a ética e a moralidade são inseparáveis da religião, já que o pressuposto básico da religião védica ensinava a separação entre a ética e a espiritualidade. Já um outro aluno, dessa vez um aluno de história, pode dizer que esse sapateiro foi o pai da renascença indiana nos séculos XIX e XX. "A índia hindu atingiu o seu ápice intelectual, nas artes, arquitetura e literatura no século XI d.C", ressaltaria esse aluno de história.

Esse sapateiro não viu a Índia como um país a ser explorado, mas como um lugar especial, que deveria ser amado, servido e onde a verdade, e não a ignorância, precisava reinar. Esse sapateiro enfatizou o desfrutar da literatura e da cultura, em vez de refutá-la como algo maya. Sua espiritualidade prática, com forte ênfase em justiça e amor ao próximo, amor à Deus, marcou a mudança de rumo da cultura indiana. Os primeiros líderes indianos da renascença procuraram inspiração nesse sapateiro e nos amigos que viveram com ele.

Bom, o que um sapateiro pode fazer?

Será que ele tinha o apoio incondicional da rainha da Inglaterra? Estaria ele em convênio com o Greenpeace? Talvez ele tivesse vários advogados ao seu dispôr no exterior. "A ONU, com certeza, o enviou para começar essas reformas", alguém poderia dizer. Com certeza esse sapateiro tinha um iPAD, conectado 24 horas à rede 3G indiana e, com isso, pode se mover e fazer as muitas pesquisas que realizou, tudo financiado pelo Google. Ele deve ter escrito bastante no Wikipedia e deve ter sido convidado para ser um palestrante no TED. Talvez tenha ganhado um Nobel. Mas uma coisa deve ter sido verdade: teve ele o apoio incondicional de sua igreja e de sua denominação?

Pois bem, o que um sapateiro pode fazer mesmo, hein?

(Baseado no artigo Carey: Christ and Cultural Transformation, escrito por Ruth e Vishal Mangalwadi, Copyright 1993, com alguns acréscimos meus)